Ir para o Vale do Silício é o sonho de muitos jovens brasileiros. O Brasil está na linha de frente dos melhores projetos tecnológicos do momento. “Nós não somos sistemáticos, obedientes e cooperativos como os japoneses. Tampouco temos o voluntarismo, a liderança e o preparo científico dos americanos. Mas a criatividade e a capacidade de improviso típicas do brasileiro explicam sua ascensão no mundo da tecnologia”, diz Milton Campanário, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP.

Mike Krieger é um exemplo. Quando Mike fez 4 anos, seu pai, que era um executivo, os levou para morar em Portugal, nesta época Mike ganhou o seu primeiro computador. Após se mudar várias vezes, ele voltou ao Brasil com 15 anos de idade e aos 18 foi estudar na Universidade Stanford. Mike estudou Symbolic Systems (sistemas simbólicos), uma matéria complicada que mistura programação, design e filosofia.

Quando Mike chegou no terceiro ano de curso, conheceu um americano chamado Kevin Systrom e juntos, tiveram a ideia de criar o que hoje conhecemos por Instagram. A princípio, uma ideia despretensiosa, um aplicativo para deixar as fotos com cara de um filme fotográfico antigo. Já no seu primeiro dia, o Instagram teve mais de 20 mil downloads. O aplicativo adquiriu tanta popularidade que, por fim, acabou sendo comprado pelo Facebook por cerca de US$ 1 bilhão. Mike ficou com cerca de US$ 100 milhões em sua conta.

Paulo da Silva sempre gostou de música. Ele revela que quando ganhou seu primeiro computador não o entendia muito bem, mas com o uso o seu interesse pela computação foi aumentando. Quando Paulo completou 12 anos de idade, entrou para um curso de programação de software e começou a desenvolver programas para empresas de amigos e parentes. Tempos depois, o pai de Paulo recebeu um convite de trabalho e levou toda a família para morar nos EUA e em 2016, Paulo iniciou seus estudos na Universidade da Flórida na área de engenharia da computação. Na época, Paulo ficou sabendo que o Grooveshark, um site no qual você pode ouvir qualquer música, em qualquer momento e sem baixá-la, estava atrás de seu primeiro funcionário.

Quando Paulo chegou na sede na empresa, encontrou os três fundadores de bermuda e chinelo, a “sede” era uma sala que não possuía mesas e os computadores ficavam em cima de caixas de papelão, mas mesmo assim ele aceitou o emprego. Hoje, ele é engenheiro sênior do site que já um acervo de 15 milhões de músicas e mais de 30 milhões de usuários.