Para potencializar o aprendizado, é essencial conciliar teoria com prática. Quer saber uma forma de uni-las? Conheça as empresas juniores.

As EJs são associações civis sem fins lucrativos e autônomas. Nelas, o aluno de graduação pode desenvolver os conhecimentos adquiridos em sala de aula. As empresas também se beneficiam com um trabalho de qualidade, garantida com a orientação de um professor e a preços acessíveis.

Um exemplo de EJ é a Ação Júnior, formada por alunos da Universidade Federal de Santa Catarina, que presta consultoria nas áreas de finanças, gestão de pessoas, marketing e gestão estratégica de processos.

Quer entender melhor como funcionam as consultorias? O blog do Concurso SEBRAE conversou com os alunos do curso de Administração, Gustavo Zilli e Caroline Lenzi, diretores de consultorias e, Lincon Shigaki, vice-presidente da Ação Júnior, sobre a experiência deles.

Como são feitas as consultorias da Ação Júnior?

Na Ação Júnior, as consultorias são resultado da união do trabalho de um gerente, um – ou mais – professor orientador e os consultores. Após identificarmos a necessidade de nosso cliente, este time é responsável por executar o projeto. Os consultores são capacitados pela própria empresa e recebem o apoio técnico dos professores especialistas em cada área de nosso portfólio. O gerente é o responsável pelo cumprimento de todas as etapas acordadas, além de facilitar a comunicação entre a Ação, o cliente, o professor e os consultores.

As empresas Juniores prestam serviços nas áreas que abrangem o curso dos graduandos. No caso da Ação Júnior os serviços são na área de gestão (financeira, marketing, estratégia, processos, recursos humanos, abertura de novos empreendimentos).

Qual a importância da Empresa Júnior para a vida acadêmica do estudante?

Muitas vezes a Empresa Júnior é o primeiro contato do estudante com o mercado de trabalho, podendo ser já na primeira fase acadêmica. A EJ é a oportunidade de colocar em prática o que se aprende em sala de aula e desenvolver outros conhecimentos que não estão na grade curricular convencional.

Quais capacidades, aptidões o aluno desenvolve?

Desenvolvemos: liderança, trabalho em equipe, desenvoltura, como lidar com o mercado, gerenciamento de projetos e equipe com desenvolvimento nas questões de escopo, precificação, cronograma. É evidente que tem um crescimento muito grande em aspectos profissionais e nas habilidades interpessoais. A experiência de gerir uma empresa ainda na graduação promove um amadurecimento em processos decisórios, trabalho em equipe, conhecimento prático das áreas do curso, coisas que outros estágios podem não propiciar.

No mercado de trabalho, qual o diferencial do estudante que participou de uma Empresa Júnior?

Os empresários juniores são reconhecidos por grandes empresas como: Ambev, Falconi, Banco Itaú, entre outras. Estas empresas possuem um processo seletivo anterior ao “normal”, somente para quem foi empresário júnior. De uma forma geral, a diferença se dá na maturidade profissional e nos conhecimentos práticos. Muitas das técnicas de gerenciamento e o modelo de gestão utilizado nas EJs é comum com o utilizado nas empresas do mercado.

Qual a proximidade da Ação Júnior com outras empresas juniores?

A relação entre a Ação Júnior e as empresas juniores é bem próxima e amistosa. A prática de benchmarking é constante e quando possível fazemos projetos em conjunto ou indicamos os serviços de outras EJs. Em Santa Catarina, as empresas juniores são representadas pelas FEJESC, que além de representar e aproximar as EJs, ainda fortalece a imagem do Movimento perante a sociedade. Temos também a confederação, Brasil Júnior, que é a entidade máxima representando em nível nacional e internacional os empresários juniores brasileiros.

Como deve proceder o aluno que tiver interesse em participar da Ação Júnior? Alunos de qualquer curso e qualquer faculdade podem se inscrever?

Graduandos dos cursos do CSE interessados, devem participar de um processo seletivo que ocorre semestralmente (no início do semestre). Os selecionados, passam pelo período trainee, que é um semestre de capacitação e ambientação da empresa. Após esse período, ele poderá ser aprovado para participar efetivamente da empresa, realizando projetos e assessorando os processos internos.

E como deve proceder o aluno que deseja criar uma Empresa Júnior?

A Brasil Júnior – Confederação Nacional das Empresas Juniores, explica a criação de uma Empresa Júnior em 5 passos.

  1.  Conseguir pessoas interessadas em ajudar – Nessa etapa, é sugerido procurar graduandos que compartilhem o pensamento do Movimento Empresa Júnior e que tenham motivação. Também é nessa etapa que deve ser buscado professores que possam auxiliar a iniciativa.
  2. Pense o que a Empresa Júnior pode fazer – As Empresas Juniores prestam serviços nas áreas de estudo dos graduandos. Porém, é necessário definir quais tipos de projetos se materializam nas áreas que vão atuar.
  3. Entre em contato com a Instituição de Ensino Superior – Apresentar a ideia, buscar o reconhecimento institucional da Universidade. O ideal é contagiar as pessoas nessa etapa apresentando os benefícios de uma Empresa Júnior.
  4. Conseguir um espaço físico – Deve-se buscar um espaço que possa ser cedido pela IES para que a Empresa Júnior se organize e atenda clientes. É importante buscar lideranças e sensibilizá-las.
  5. Faça Benchmarks – Empresa Júnior é um movimento de desenvolvimento colaborativo e aberto a trocas de experiências e pelo crescimento da ‘’rede’’. Procurar as Empresas Juniores da cidade, a Federação que representa o movimento estadualmente ou a Brasil Júnior com certeza irá amadurecer a ideia de criação da Empresa Júnior. Eles fornecerão apoio, modelos e sugestões.

Para participar do 7º Concurso Estadual de Planos de Negócio, o aluno precisa elaborar um Plano de Negócio. Qual a importância do documento para o empreendedor?

O Plano de Negócios é o passo a passo para a ideia do empreendedor ser operacionalizada. Inicialmente temos a validação da ideia, que nada mais é que ir ao público alvo e testar o produto ou serviço. Geralmente acontecem várias mudanças após este contato inicial, o que faz desta etapa algo crucial para o sucesso. Muitos empreendedores ignoram esta etapa, comprometendo o futuro da empresa. Após a validação se dá o plano de negócios em si, onde ocorre o planejamento financeiro, de marketing e de produção ou prestação do serviço. Se as etapas forem bem planejadas e baseadas na análise mercadológica, a chance da empresa ter sucesso é muito maior.